Mágica noite
Que me fazes sorrir
Num mar de estrelas
A chegar e a partir
Brilhante noite
Pintada de luar
Com saudades distantes
Que nunca vão acabar
Floresta de luzes
A piscar sem fim
Deixo ... tu me conduzes
És um reflexo de mim
05/01/13
02/01/13
LARANJAS
Cresci entre o granito e a serra. As ruas estreitas e a água das fontes ajudaram a chegar mais alto. A neve escassa moldou-me a infância e as salamandras ficaram no meu olhar. As laranjas escorriam com a água quando a trovoada se afastava e o ribeirinho era o maior e único rio do mundo.
Tudo crescia paciente e tranquilo.
Tudo crescia paciente e tranquilo.
A CARROÇA DO MEU AVÔ
O meu avô tinha uma carroça. O outro meu avô tinha um carro de bois. A vida fez-se com muitas arrelias e palavrões que deitavam ao chão qualquer. O vento também recebeu paravras impróprias servindo para descarregar as agruras da vida e a raiva do momento. Apanhei boleias cheias de 5 à hora e ruídos estranhos de animais dóceis e não dei pelo tempo a passar, não agradecendo a quem me estimou e amou sempre.
Um burro foi vendido, outro caíu num regresso a casa e os bois não sei para onde foram.
Hoje já quase não há carroças mas perdura a nostalgia de momentos fantásticos cheios de juventude e respeito.
30/12/12
NOVAS ESPERANÇAS!
Os dias vão perdendo fulgor, a riqueza amealhada vai saindo à rua para desaparecer no nada e o futuro vai ficando adiado. Quem arrisca vai fugindo ao destino e vai escrevendo noutras línguas, novas palavras de amor.
Queria voar por aí rumo ao paraíso, descobrir outros mares e marés mas a cabeça não deixa.
Vou adiando novas esperanças lá longe ...
Queria voar por aí rumo ao paraíso, descobrir outros mares e marés mas a cabeça não deixa.
Vou adiando novas esperanças lá longe ...
23/12/12
A MINHA VELHA BICICLETA
Uma vez tive uma bicicleta. Não me a deram, não a achei ... era velha, muito usada e amiga de fazer longas viagens. O ferro da sua estrutura estava ferrugento mas com simples pedaladas ela ia a todo o lado. Durou-me nas mãos um mês de um verão distante mas deixou-se saudades para a vida.
SERRA DA GARDUNHA
O tempo continua deslizando nas nossas vidas. Lá vamos todos atrás perseguindo o destino e só quem não sabe amar é que se mostra indiferente. Assobiamos um pouco menos, fazemos viagens cada vez mais longe mas o nosso querer vai morrendo devagar à medida que o inevitável se vai avistando. As teclas que fazem a música tornam-se gastas e previsíveis e a nossa aventura fica presa ao nosso passado. Depois ... vem o sol ... esquecemos o que nos dói ... e tudo renasce!
SAUDADES DA SOALHEIRA
Sinto saudades do meu tempo de criança. De viver no gelo e no nevoeiro de dezembros duros e encantadores que desciam a serra não se sabe, vindos de onde. Os meus avós, apesar da idade, conseguiam fazer-me sentir um rei com futuro, um homem com sentido e transmitiam-me uma esperança inquebrável.
O granito das casas e dos pavimentos refletiam a liberdade de viver e a água do inverno era mais que acarinhada. Guardo no meu coração a ternura desses tempos e são esses momentos que me fazem acreditar que há futuro.
A rua era esta e as saudades não têm fim.
O granito das casas e dos pavimentos refletiam a liberdade de viver e a água do inverno era mais que acarinhada. Guardo no meu coração a ternura desses tempos e são esses momentos que me fazem acreditar que há futuro.
A rua era esta e as saudades não têm fim.
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