24/08/26

PARA MINHA MÃE

Na Soalheira o sino tocou,
O senhor padre Luciano chegou!
Homem de fé e de grande doutrina,
Queria a batina com o toque da Etelvina.

— Ó Mestre Manuel, homem de respeito,
Espero que o nó tenha ficado bem feito!
Se o botão cai no altar do Senhor,
A sua costura perde todo o valor!

O velho alfaiate, mestre do compasso,
Limpou as mãos e deu um passo:
— Senhor padre, não há aqui falha,
A minha agulha nunca se atrapalha!

Se o botão fugir ou a linha partir,
É porque o senhor não pára de hóstias engolir!
A Etelvina riu, o mestre piscou o olho,
E o padre Luciano nem teve piolho!

Os aprendizes, firmes e hirtos,
Olhavam a batina sem dar um grito.
O tecido escuro assentava que nem uma luva,
Pronto para a missa, viesse sol ou chuva!


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