06/06/26

MANHÃ DE PRIMAVERA

Sentado no degrau da porta,
Canto e rio sem pressa ou fim,
A paz brilha e conforta,
Com o sol só para mim.

Vem vento fresco da serra
Abraçar este dia de amor,
Saboreio o melhor da terra:
Passas doces cheias de calor.

Piso este granito puro,
Sinto a vida a pulsar,
Agua a correr a meus pés,
A caminho de outro lugar.

Levanto-me e radiante,
Sacudo moscas ao burro,
Giro e brinco num instante,
Num gesto livre e puro.

Dou-lhe um pouco de pão,
Com paciência que ninguém tem,
Enquanto a carroça espera
E o sussurro do repuxo vem.