28/12/24
06/12/24
RUA NOVA - SOALHEIRA
Nos primeiros anos morei, na rua nova, de uma aldeia que hoje é vila. Lembro os natais da minha primeira dezena de anos,, com muito carinho e muita alegria. Tudo encaixava facilmente numa liberdade e num respeito que todos os meus vizinhos cultivavam como os nabos no inverno. Tudo fluía sem sobressaltos e sem discussões. O vento gelado que soprava da serra convidava a procurar a lareira e os preparativos para o natal decorriam com simplicidade e tranquilidade. Presentes? ... sorrisos e filhoses, lindas manhãs de nevoeiro e gelo, na rua onde nasci!
Manhãs brancas cheias de muros cobertos de silêncios. Aproveitei os tempos como se fosse o melhor da vida. Apesar da penumbra do tempo tentar apagar as minhas lembranças recordarei sempre a minha família, os meus amigos e as botas molhadas que faziam corar a minha mãe.
A rua continua a chamar-se nova e a rampa de 80 metros lá continua cheia de paralelepípedos de granito.
É sempre bom regressar àquele canto do mundo.
16/11/24
O PEIXE PAU QUE PESQUEI
Num sábado de um céu bem decorado de nuvens, de todos os tipos, fui pescar. O meu primo é que é destas ideias, tem estojo com várias canas e iscos luminosos de plástico brilhante.
Sentámo-nos na barreira de uma barragem tranquila com uma suave brisa embalando os pinheiros. E, fomos fazendo aquele ritual que um pescador faz: estica a cana põe o isco, fala-se de tudo e mais alguma coisa e ... só o vento escuta.
O lançamento do isco à água encerra os preparativos e abre-se um período de espera que não conta para nada. Os peixes saltam perto e uns peixinhos deslizam mais perto ainda.
Horas depois experimentamos puxar um pouco o fio e ... vem aí qualquer coisa! É hoje ...
Aparece um ramo pouco composto e não passa de um pau.
A pesca, nesse dia, foi apenas isto, mas o mais interessante é que não estragou a média dos últimos meses.
O peixe verdadeiro existe ... mas nas costas de Espanha.
Este peixe é o rosado pau peixe.
13/06/24
12/06/20
08/04/17
30/03/17
POEMA SOBRE O 25 DE ABRIL
Acabou a guerra
Acabou a saudade
Não podiam mulheres
votar nem cantar
Os casais na rua
Não podiam namorar.
Passaram famílias fome,
Foram homens para a prisão
Matavam-se pessoas
E não era à traição.
Depois do 25 de Abril
Foi liberdade eterna
As mulheres cantavam
Tinha acabado a guerra
Toda a gente se alegrava
Os casais podiam namorar
As crianças podiam sorrir
E as pessoas se divertir
Agora que somos livres
Quero aproveitar
A liberdade verdadeira
Para não acabar.
VIVA A LIBERDADE!
Ana Sofia, 4º ano
13/12/16
SONHA TU
Que és uma gota de água
Num rio louco de raiva
Que à noite
Chega ao mar
Tu que comandas
Essa corrente que te leva
Essa música errante
Escondida na treva
Feita de instantes
De sol e luar
Sonha tu
Apenas por um instante
No brilho da água prata
No que ela quer dizer
Não é tua aquela montanha
Nem a outra a espreitar
Só é teu
Este momento
Que molda o teu olhar



