06/12/10

BALOIÇO DO JARDIM

Sentei-me no baloiço da esquerda para ficar com vista para a torre do jardim. Por baixo da frescura de um fim de tarde de Agosto, algumas pessoas passeavam pelas ruas desenhadas a régua e esquadro. Lembrei-me de um gelado, de um pãozinho com fiambre ou mesmo uma simples maçã. Tinha prometido esperar por ele, ali no jardim central da vila e ele nunca mais chegava!
Meia-hora ... é demais, levantei-me, encaminhei-me para a saída ecom passos largos fui andando até casa para por a escrita em dia.
O baloiço ficou descrevendo aquele movimento pendular ...

SONHO


Moro num palácio aniloso, brilha intensamente na noite e ao mesmo tempo, é invisível.
As pedras são leves e as paredes suportam um telhado desalinhado que balança suavemente para nenhum lado.
Navega à volta deste planeta numa trajectória circular feita de curva contínua e deslize brando.
Enquanto observo o fumo que sai das cavalariças, acordo e pergunto-me ... afinal qual é o planeta?

05/12/10

VENTO LOUCO


Livre voas
Corres pelos campos
Estás em todo o lado
Cavalo louco
Sempre solto
Nunca estás cansado

De dia e noite
Sopras a tua canção
Gostava de te ver
Só para saber
Se sorris ou não

Espreitei de manhã
Para saber como é, o teu acordar
Mas tu estás sempre escondido
E eu rendido,
Deixo de procurar

03/12/10

VENTO


Debaixo da árvore olhei a folhagem da oliveira numa tarde quente de Agosto. Pequenos arcos-íris brilhavam entre as folhas e o vento ia embalando docemente ramos e frutos. Perguntei quem te empurra para aqui a esta hora, e apenas ouvi muito baixinho, um gigante que vive por cima das nuvens. Todo o dia? Sacodes com tanta força estes campos e estes matagais, o que te move? És velho ou novo, és feio ou lindo ...
Apenas ouvi ... à noite vou soprar com mais força.

Papagaios de Papel


DOBREI O PAPEL CONTRA O FIO.
Ao fio, suavemente, enrolei-o no enleio e deixei-o deslizar contra o chão. Pintei sorrisos nos quatro cantos e na cauda alternei segredos e certezas. Corri contra o vento e levantei os pés do chão em movimentos alternados. Mas o papagaio não me levou ... fiquei para fazer mais!

ERA UMA VEZ ...


Era uma vez um homem ...
Com os braços grandes e as unhas escuras.
E cavava a terra com garra, energia e persistência.
Cansado, sentou-se em cima do vento e partiu para longe.
Insatisfeito com o que viu, procurou de novo o vento, mas não mais o achou.

CURIOSIDADES SOBRE O VENTO


O vento é o ar em movimento. Ele existe porque o ar que envolve o nosso planeta nunca está todo à mesma temperatura. Todas as formas de ventos - das brisas aos furacões - são deslocamentos de massas de ar resultantes das diferentes temperaturas e pressões nas várias regiões atmosféricas.

02/12/10

AUTOPSICOGRAFIA - FERNANDO PESSOA


O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que devereas sente

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração