23/01/25
28/12/24
DO REPUXO AO LAVARINTO
O repuxo tem um nome maravilhoso, é apenas repuxo, mas não repuxa nada. Recolhe água do chafariz, aproveita o desnível e oferece a água a quem passa e a outras pessoas. Noutros tempos era o centro da aldeia. As lojas de muitas profissões circundavam o belo lago circular e o repuxo dava água a todos os animais que por ali passavam. Os burros com as suas carroças, os cães e gatos que viviam na mais bela liberdade e o pequeno lago também era habitado por peixes de tamanhos variáveis. Gostava de ficar ali a perceber como aquela máquina funcionava e era junto dele que comia o pão com queijo da aldeia. Foi ali que levei o primeiro puxão de orelhas e pela primeira vez vi gelo. Nas manhãs de primavera misturavam-se, o ruído da água a correr com as andorinhas que por ali passavam para beber água. Os idosos aproveitavam para usar o precioso líquido para lavar as mágoas e sacudir as moscas.
O lavarinto foi construído com um objetivo muito nobre: ajudar as donas de casa do sítio a lavar a roupa. Esta água não se cruzava com a da fonte anterior. Chegava ali límpida e tranquila. Poucas pessoas vi ali lavarem roupa. O que era normal era ver tudo verde com plantas que não havia noutro lado. A minha mãe preferia ir mais longe ... nunca lá lavou.
06/12/24
RUA NOVA - SOALHEIRA
Nos primeiros anos morei, na rua nova, de uma aldeia que hoje é vila. Lembro os natais da minha primeira dezena de anos,, com muito carinho e muita alegria. Tudo encaixava facilmente numa liberdade e num respeito que todos os meus vizinhos cultivavam como os nabos no inverno. Tudo fluía sem sobressaltos e sem discussões. O vento gelado que soprava da serra convidava a procurar a lareira e os preparativos para o natal decorriam com simplicidade e tranquilidade. Presentes? ... sorrisos e filhoses, lindas manhãs de nevoeiro e gelo, na rua onde nasci!
Manhãs brancas cheias de muros cobertos de silêncios. Aproveitei os tempos como se fosse o melhor da vida. Apesar da penumbra do tempo tentar apagar as minhas lembranças recordarei sempre a minha família, os meus amigos e as botas molhadas que faziam corar a minha mãe.
A rua continua a chamar-se nova e a rampa de 80 metros lá continua cheia de paralelepípedos de granito.
É sempre bom regressar àquele canto do mundo.
16/11/24
O PEIXE PAU QUE PESQUEI
Num sábado de um céu bem decorado de nuvens, de todos os tipos, fui pescar. O meu primo é que é destas ideias, tem estojo com várias canas e iscos luminosos de plástico brilhante.
Sentámo-nos na barreira de uma barragem tranquila com uma suave brisa embalando os pinheiros. E, fomos fazendo aquele ritual que um pescador faz: estica a cana põe o isco, fala-se de tudo e mais alguma coisa e ... só o vento escuta.
O lançamento do isco à água encerra os preparativos e abre-se um período de espera que não conta para nada. Os peixes saltam perto e uns peixinhos deslizam mais perto ainda.
Horas depois experimentamos puxar um pouco o fio e ... vem aí qualquer coisa! É hoje ...
Aparece um ramo pouco composto e não passa de um pau.
A pesca, nesse dia, foi apenas isto, mas o mais interessante é que não estragou a média dos últimos meses.
O peixe verdadeiro existe ... mas nas costas de Espanha.
Este peixe é o rosado pau peixe.